Simpósio Nacional de Biorrefinarias debaterá uso de carboidratos na produção de químicos

Além de servirem como alimento, a batata e a mandioca podem ser biomassa para transformação em combustível e produtos químicos. É o que defenderá o presidente da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), professor Vitor Francisco Ferreira, no II Simpósio Nacional de Biorrefinarias em Brasília. Promovido pela Embrapa Agroenergia em parceria com a Abiquim e a Sociedade de Engenharia Química e Biotecnologia da Alemanha (Dechema), o evento acontecerá de 24 a 26 de setembro, em Brasília. No encontro, o professor colocará em pauta o uso de carboidratos oriundos de biomassas como tubérculos, raízes tuberosas, sementes, madeira, folhas, entre outros materiais que tenham amido ou celulose como matéria-prima para produção de insumos da química fina em biorrefinarias. “Pode-se produzir combustível a partir de biomassas. O preço do petróleo está subindo. Futuramente, talvez essas sejam alternativas viáveis em regiões escassas de fontes não renováveis”, sugeriu Ferreira.

Entretanto, para que uma biorrefinaria possa ser considerada verde, não basta usar biomassa como matéria-prima. Para o professor, a Química Verde (QV) é aquela que processa produtos químicos de maneira sustentável, sem agredir o meio ambiente, usando matérias-primas recicláveis e a partir de fontes renováveis, com baixo custo energético e com pouco uso de água. “Para que uma biorrefinaria se enquadre na classificação ‘verde’, é preciso que ela siga os conceitos da QV em todos os seus processos. A biomassa é só um dos pontos. Cada etapa tem de ser sustentável”, explicou.

De acordo com Ferreira, o maior desafio no compromisso de produzir em acordo o ideal da QV é a redução de rejeitos, do uso de reagentes, de consumo de água e energia e de emissão de gases que causam o efeito estufa. “A palavra é reduzir”, afirmou. Entretanto, transformar os processos de forma a torná-los mais sustentáveis demanda investimento. Nesse sentido, o Conselho de Competitividade da Química inseriu na Agenda do Plano Brasil Maior, a implementação do Regime Especial de Incentivo à Inovação na Indústria Química (REIQ Inovação), que visa estimular a produção e a pesquisa de produtos que utilizem recursos renováveis como matérias-primas, concedendo incentivos fiscais para as vendas de produtos neles baseados, com o compromisso de investimento de uma parcela destas vendas em P&D. Segundo a diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, a média internacional das indústrias químicas de investimento em P&D está entre 2% e 2,5% da receita líquida. Mas, no Brasil, esses números estão em torno de 0,6%. “Com o REIQ Inovação, as perspectivas são de elevar a injeção de investimentos em P&D para 1,5% a 2,5% da receita líquida em 10 anos”, prevê Fátima Giovanna.

O Simpósio Nacional de Biorrefinarias tem o objetivo de fazer um diagnóstico do setor, identificar desafios e propor soluções inovadoras para adicionar valor à cadeia de biomassa, para que os setores agroindustriais, de bioenergia, de química e química fina e de papel e celulose trabalhem, cada vez mais, na lógica das biorrefinarias. As inscrições estão abertas no site até 13 de setembro. Acesse: http://www.snbr2013.com.br

O SNBr tem apoio institucional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Internacional Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC), da Sociedade Ibero-americana para o Desenvolvimento das Biorrefinarias (Siadeb), da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), da Associação Brasileira da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina), da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei) e do Conselho Regional de Química do Estado de São Paulo (CRQ IV Região). A Braskem e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) patrocinam o evento.

Fonte: Abiquim

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